Driblando o autocentrismo*

Tinha acabado de chegar da Bolívia/Peru. A vontade de passar um tempo fora voltou forte, mas com uma forma diferente. Nenhum dos destinos primeiromundistas amados por nós brasileiros fazia sentido. Não queria conforto, não queria desenvolvimento. Uma realidade desconhecida chamava, mas não sabia onde procurar.

Na passagem pelos vizinhos, fiquei surpresa por encontrar pouquíssimos brasileiros, em contraste com muitos estrangeiros de todas as partes. Os latinos adoravam me provocar dizendo que éramos um país autocentrista*, geográfica e culturalmente de costas para eles. Pensando bem, de costas para o mundo que não inclua Europa e Estados Unidos.

Um dia, voando entre um trabalho e outro, peguei a revista de bordo e a resposta estava lá, nas páginas que desdobravam a reportagem de capa. Sabe aquela hora que acende um holofote de certeza na sua direção? Isso.

p.s.: meu planejador online de viagem acaba de mandar um email com os seguintes dizeres.

tripit

aimeudeus, uma semana.

*não gosto de mudar termos usados por outras pessoas para deixar o texto politicamente correto: o que foi dito, foi dito, com sua carga e tudo. Também não gosto de mexer em aspas para “melhorar” a frase pelo mesmo motivo. Por outro lado, não quero ofender quem quer que seja, então o termo asteriscado foi adaptado do original. 

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4 Comentários on “Driblando o autocentrismo*”

  1. deborazampier disse:

    Oi Mari! O termo na verdade não foi fortíssimo, mas ligado a uma patologia que restringe a interação das pessoas com o meio, sabe? Também discutimos essa questão por lá e pensei que existe a possibilidade de não nos considerarmos latinos. De repente por uma questão de colonização ou de língua, não sei. Latinos ou não, fato é que mal conheço o que se passa nos nossos vizinhos. Viajei para a Europa/EUA trilhões de vezes, e apenas uma para a América Latina. Não que eu tenha qualquer rejeição ao primeiro mundo, muito pelo contrário, frequento e gosto muito. Mas essa crítica me pegou de certa forma para buscar uma visão diferente dessa vez. E afinal, qual foi a conclusão do debate de vocês sobre a nossa latinidade? Fiquei curiosa!

    • Mari Jungmann disse:

      Não teve conclusão… hahaha Uma parte jurava que era, outra jurava que não. No fim, a parte que jurava que não se pegou repensando ao perceber que o resto do mundo acha que somos. E a parte que jurava que era começou a perceber que tinha menos em comum com os vizinhos do que gostaria… hahaha

  2. Mari Jungmann disse:

    Qual foi o termo que eles usaram em espanhol? Esse trecho do texto me fez lembrar uma aula na minha pós (e em relações internacionais da América do Sul) em que discutirmos longamente o fato de termos estado historicamente de costas para os nossos vizinhos. A discussão terminou com a pergunta: Os brasileiros se consideram latinos? Acho que a resposta a essa pergunta talvez justifique algum termo forte (tipo “egoístas” ou “ensimesmados”) utilizado pelos amigos bolivianos que tentaram te provocar.


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