O último paraíso

Foi sem muitas expectativas que desembarquei em Koh Lipe. Nova queridinha da Tailândia, a ilha integra o parque nacional Tarutao, quase na fronteira sul com a Malásia. Os livros falavam de um paraíso crescendo rápido, estilo “melhor correr agora antes que kohphiphize”. Depois de duas horas buscando pouso barato nas praias anoitecidas, senti a previsão tomar forma nos preços já inflados. Os 14 quilos de mochila me fizeram acordar só na manhã seguinte.

A partir de então, a inesquecível Koh Lipe mostrou a que veio. A ilha é rodeada por um mar turquesa padrão Maldivas e por outras ilhas semi-intocadas em verde rochoso. Durante as primeiras horas do dia, a maré alta convida para um banho na piscinona cristalina sem ondas, recomendado no intervalo entre horas de preguiça na areia branca. Quanto às praias, livre escolha entre as grandes mais conhecidas e as pequeninas quase vazias. A água é tão calma que dá para pular de uma para outra contornando as pedras.

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Mas a melhor parte vem quando o mar fica imprestável para banho (!). No fim de tarde, quando a maré retrai, os corais ficam tão próximos da superfície que a sensação é de estar em um grande aquário ao ar livre. É possível caminhar entre uma formação e outra, e nem precisa de snorkel para detectar peixes e cores passando bem pertinho das pernas e dos pés. A água fica absurdamente cristalina e a boca absurdamente aberta com tamanho capricho da natureza (a foto da família Nemo aí embaixo foi tirada de fora da água).

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No pôr do sol, experimente pular a óbvia Sunset Beach e vá para o meio do mar, no banco de areia formado entre Koh Lipe e a vizinha Koh Adang. Foi dali que, semi-deitada na água morna, vi a bola laranja cair na covinha formada entre uma ilha e outra. O céu enorme passou do azul para o quase vermelho, incluindo nuances de amarelo, laranja, rosa e púrpura que também tingiam a água. Na praia, famílias tailandesas batiam palmas e soltavam “ohs”, enquanto ocidentais em contemplação não ousavam se mexer.

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Embora passe por mudança rápida e aparentemente irreversível (área verde bastante devastada, um certo lixo irritante nas praias), Koh Lipe ainda se mantém com folga no status paraíso cinco estrelas. Os barcos e as massas de gente, por ora, não são suficientes para tirar o sossego e o brilho nos olhos de quem vem.

Resumindo, corra.

p.s. bônus: pequena na medida certa para ser explorada a pé, é fácil encontrar outros viajantes independentes que se juntam para celebrar os dias e noites mais interessantes e menos óbvios até aqui.

p.s.2: a partir de hoje encerro meu ciclo na Tailândia sul (vulgo ilhas e praias) e dou um tempo no país para passar algumas semanas na inexplorada Mianmar. Depois volto para finalizar o norte da Tailândia, seguindo para Laos, Camboja e Vietnã, nessa ordem.

p.s.3: perdido no mapa? Siga o passo a passo da viagem aqui!

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6 Comentários on “O último paraíso”

  1. Patrícia colela Doyle disse:

    Que privilégio! Beijos, querida.

  2. Luísa disse:

    Lugar incrível!!
    Saudade, Capetinha amado!!!!

  3. Bizie disse:

    MANOOO que lugar é esse!!!! Você é mesmo muito focada pra não se perder por uns dias aí!!!! Lindo demaaaaaais!!!!!


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