A dois (irredutíveis) passos

 

Barcos curtem um mar turquesa enquanto o pessoal observa do lado de fora

Barcos curtem um mar turquesa enquanto o pessoal observa do lado de fora

No filme A Praia, um dos personagens afirma que, se existe um lugar intocado na Terra, basta aparecer no Lonely Planet para tudo se perder. Ironicamente, não foi o infame guia, e sim a própria produção hollywoodiana que selou o destino do paraíso em pane conhecido por Koh Phi Phi.

Não fosse a película, nem festeiros do mundo todo e seus buckets, nem barulhentas famílias tailandesas em daytrips, nem idosos ocidentais endinheirados, dariam tanta atenção ao tesouro escondido no lado tailandês do Mar de Andaman. Mas bastou Leonardo Di Caprio aparecer e pronto, fez se a sanha mercenário-hedonista em torno do nome que personificou a praia perfeita narrada no livro de Alex Garland. E lá se vão 14 anos de carga pesada, tsunami devastador (2004) incluso.

A duas horas de ferry e 45 minutos de lancha do continente, as formações rochosas calcárias plantadas no oceano vão surgindo em nítido estourado como uma montagem em chroma-key. Zumbindo aqui e ali, barcos flutuam coloridos como peixinhos de pescaria junina e devem ser considerados parte indissociável do cenário.

O fluxo de gente chegando e saindo das ilhas é super, os preços idem. Nos pontos para mergulho, o que de longe parecia azul turquesa de perto é meio turvo e tem uma fina camada marrom-óleo. Turistas ansiosos para ver o “nemo” atiram comida ao mar sem parar, falam sem parar, gritam sem parar. Nem o pássaro que flutua lá de cima escapa: seu ninho-iguaria é negociado a peso de ouro na indústria alimentícia chinesa.

Se vale a pena? Ao entrar na Baía de Pi-Leh, não teve ronco de motor, não teve grito de gente, que fez conter as lágrimas de encantamento.

p.s.: Ele também acha que tem algo errado ali, e isso ainda em 2009.

Barcos peixes-juninos na deslumbrante Baía Pih-Leh

Barcos peixes-juninos na deslumbrante Baía Pih-Leh