Goa, onde quase fiquei

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Goa é um lugar tão especial que fica difícil explicar assim, sem uma tosca metáfora culinária. Pegue uma panela e misture Índia, Portugal e Rússia, com uma pitada de turistas da Europa e da Austrália. No recheio, adicione resquícios do que um dia foi o paraíso hippie e hoje está salpicado de resorts e pousadas boutique, muito embora o lugar mantenha o ar despretensioso embalado pelo jeitão desencanado dos locais. Essa é Goa, pronta para servir.

Acho que o território começou a se desprender seriamente do padrão Índia com a chegada do portugueses no Século 15. Os lusitanos deixaram ali um clima easy going parecidíssimo com o do lugar que descobriram “por engano” séculos atrás, no caso o Brasil. Justamente quando tentavam alcançar as Índias, vejam só.

Nenhum goense pede para tirar foto, ninguém liga se a russa está fazendo top less na praia, e o consumo de álcool é o mais liberado e barato da Índia. O ônibus que leva os trabalhadores para cima e para baixo parece uma balada ambulante, o som bombando o dia todo. Goa lembra demais a Bahia histórica das igrejinhas caiadas, de natureza deslumbrante e bafo úmido que dão vontade de não ter vontade de nada, só preguiçar pelo resto da existência.

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Depois de dois meses viajando pela confusão linguística que é a Índia, chegar pela empresa Paulo Travels, ser recebida pelo atendente Antonio Fernandes que me oferece o jornal O Heraldo, e logo mais caminhar pelo Convento Santa Mônica, tudo ali escritinho com nossa língua pátria, dão a sensação deliciosa de estar em uma filial de casa do outro lado do mundo.

Pena que o português falado tenha se perdido nas gerações antigas, mas Jesus, ah, esse ainda é o rei dos corações goenses, com altares e crucifixos espalhados por toda parte piscando luzes móveis coloridas. Quase comecei a rezar junto quando a tiazinha do ônibus sacou um rosário da bolsa.

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Muito embora os preços estejam altos para o padrão Índia, ainda é possível encontrar long necks geladas a 1 real e hospedagem por pouco mais de 10 reais a diária. Águas mornas e calmas, praias cercadas por coqueiros majestosos e pôr do sol no mar, isso aí tudo por conta da casa.

Não são poucos os relatos de gente que veio passar uma semana e ficou, o que achava coisa de doidão podiscrê. Ali descobri que o risco é real.

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2 Comentários on “Goa, onde quase fiquei”

  1. Aline disse:

    Eu tb ficaria por aí! rs.. bjs!


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