Chegando

Não precisava nem da escultura pontiaguda depois da ponte da imigração; a reviravolta que estava por vir dispensava introduções. Motos foram substituídas por Cherys, as prateleiras agora transbordam industrializados em plastiquinhos gosmentos supertemperados, luzes e vozes ganharam ritmo estroboscópico.

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Verdadeira “patitas”

Rodovias assumiram status de super obras de engenharia. Pistas duplas expressas às vezes se abrem em túneis sequenciais, às vezes são suspensas por pilares para não incomodar as montanhas. A cidade considerada média têm três milhões de habitantes. Passo mais tempo tentando ir de um lugar para o outro que nos destinos em si.

Nos últimos meses convivi com famílias cheias de crianças, muitas multiplicadas à espera do primeiro menino. Agora estou com a geração de filhos únicos dos filhos únicos, aqueles que não têm irmãos nem tios nem primos, focos convergentes da ansiedade dos pais e dos avós. Foi-se o tempo das crianças soltas pela rua protegidas pelo acaso; aqui cada olhinho puxado é ostentado e mimado como o mais valioso bibelô, com o devido efeito social que isso traz.

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Aqui o anjinho do chafariz é de verdade e segura uma escova de dente

Assim como no Brasil, pouquíssimos falam inglês, mas como improvisar com os rabisquinhos do mandarim? Até a pronúncia das ruas e das cidades é diferente, com o sério risco de cair no lugar errado por engano.

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Às vezes nem a tradução dá jeito

Cafés e baguetes sumiram das ruas e agora é difícil achar uma variação dos restaurantes oleosos de macarrão/arroz frito. Banheiro só de agachar. Também sumiram as mulheres que se cobrem dos pés a cabeça pelo conservadorismo e pela “obsessão branca”. Aqui elas sobem nos tacones a bordo de roupas curtíssimas para comprar pão, para cuidar das crianças, para uma longa viagem de trem. Os homens suspendem a camiseta com a pança à mostra, mas hoje o moço vendia celular na loja do centro sem camiseta mesmo, só de short.

Bem-vindos à China.

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4 Comentários on “Chegando”

  1. Mauro disse:

    Ótimo post filha.
    Beijos saudosos.
    Papi

  2. Renata Reps disse:

    HAHAHAHAHAHAHAHHA AMEEEEIIII ESSA PLACA VOU REPRODUZIR E FAZER UM QUADRO – arte contemporânea PURA!!!

    • deborazampier disse:

      Aproveita e passa no espremedor para tirar uma nova tradução para mim, please! Segundo minhas reflexões mo e ayoama devem ser nomes conceito intraduzíveis, mas mesmo assim o resto não da certo hehe beijo in the auau


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