Mumbai, a cidade

Mumbai surgiu como uma bomba de bafo úmido quando eu ainda estava meio sonolenta, depois de um voo de madrugada vindo de Calcutá. O trânsito héctico e o forte cheiro de peixe revolveram os sentidos. Não acreditei quando vi a espelunca onde iria me hospedar, perto do porto e da vila de pescadores, o lugar mais caro até aqui.

Mas a cidade não tem culpa dos meus padrões desajustados com o seu jeitão, diferente de tudo que vivi nesses dois meses. Capital financeira da Índia, é uma mistura de Salvador com Rio de Janeiro, mas sem a violência. Invejei os mumbaikars ao descobrir que sábado a noite é dia de levar a família ou a namorada para passear nas praias e na orla, sem o risco de levar um tiro na cara.

Casais jovenzinhos no maior <3 (Marine Lines, Mumbai)

Casais jovenzinhos no maior <3 (Marine Lines, Mumbai)

O tour pela favela instalada no coração da cidade não explora a miséria, mas fala com orgulho sobre os moradores que produzem milhões com reciclagem de lixo, manufatura de produtos em couro e artesanato com barro.

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O guia explica rindo que, todos os dias, entre seis e oito pessoas se acidentam ao cair do trem suburbano superlotado. “Mas as autoridades não fazem nada?”, “Sim, eles param o trem”. A poucos quilômetros, uma loja instalada entre dois terrenos de lixo vende roupas de R$ 3 mil para jovens indianas modernetes empunhando Iphones e cigarros.

Mumbai é a única cidade da Índia onde o taxímetro funciona, onde encontrei duas mulheres locais bebendo cerveja em um bar, e outras duas no trem trajando shortinhos jeans. Mas não se engane, porque praia é lugar de ficar de roupa comprida sob um sol escaldante, e onde o mar é mero coadjuvante para um domingo feliz entre amigos e família farofando na areia.

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O jornal avisa sobre o risco de atentado a bomba em lugares movimentados e sobre a apresentação do top DJ sueco, aquele preferido pela família Estevão. O show acontece a poucos metros da maior lavanderia a céu aberto do mundo. Ingressos a 200 reais, mesma renda mensal das famílias que ensaboam, enxáguam e torcem Mumbai, quando tanto. Brasil, é você?

Se a sua ideia sobre a cidade se resume a Quem quer ser um milionário?, compre um tíquete e venha ver por si mesmo.

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4 Comentários on “Mumbai, a cidade”

  1. Cecília disse:

    que legal Débora!! cada dia uma surpresa!

  2. Aline disse:

    Que bacana a questão da reciclagem! gostei! bjs.


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