Ladakh e o novo choque

A chegada ao Ladakh foi peculiar.

Saí de Delhi no meio da madrugada, sem dormir. Depois de uma hora e meia de voo e um pouso de tirar o fôlego tirando fino das montanhas, estava em Leh, a capital da região. Ainda meio zonza de sono, o choque começou pelo aspecto térmico: de 35 para 3 graus. A língua já não era o hindi, e sim o ladakhi. A relegião não era a hindu, e sim a budista. Os locais parecem mais chineses que indianos (a cidade fica perto da fronteira com a China), embora tenha muitos indianos aqui. Não é a toa que esse local é conhecido como o pequeno Tibete.

A região é uma das mais remotas da Índia, e a beleza das montanhas que circundam o Ladakh é indiscutível. A cidade é bem pequena, e agora começou a baixa temporada. Eu imaginava que haveria mais turistas antes de o inverno começar para valer, mas muitos lugares (lojas, hotéis, cafés) já estão fechados e só voltam a abrir em maio. O clima de cidade meio deserta é o total oposto da loucura frenética de Delhi.

Por causa da altura de 3,5 mil metros, todos recomendam descanso nos primeiros dias  para evitar a famosa síndrome da altitude, mas a dor de cabeça e o cansaço com apenas alguns passos pela cidade são inevitáveis. A maximização do isolamento com o corte de energia, internet e telefone a toda hora é inevitável também.

Hoje é dia de procurar uma agência de viagem para empreender um passeio pela região, pois as belezas naturais são o maior atrativo do Ladakh. Até!


Amo voar, gente

Falei aqui esses dias que queria viajar por terra e ironizei os aeroportos, né? Pois bem, que o castigo veio a jato.

Minha jornada pela Índia começa na região dos Himalaias. Depois de alguns dias em Delhi, vou para o extremo norte do país em direção a Leh, capital da região do Ladakh, que dizem ser o Tibet indiano. Tinha ouvido falar de uma estrada de tirar o fôlego que chega até lá saindo de Manali, uma estação turística pop no norte da Índia. Estrada cênica? Opa, aqui mesmo!

Fila indiana (literalmente) na beira do despenhadeiro.  (Jace / Creative Commons)

Fila indiana (literalmente) na beira do despenhadeiro. (Jace / Creative Commons)

Pesquisa vai, pesquisa vem, descubro que o título de estrada superlinda vem associado ao de superperigosa. Na verdade, ela passa a maior parte do ano fechada por causa do mau tempo (que começa justamente em outubro). Além disso, é uma minhoquinha estreita que vai cortando montanhas altíssimas, e se algum carro quebra ou tem acidente, bom, meu amigo, esteja pronto para acampar na estrada e perder dois dias de viagem.

Você pode perguntar: ué, cadê o espírito aventureiro? Minha parca experiência indica que só os perrengues totalmente imprevisíveis estão de ótimo tamanho para a coleção. Já fiquei presa em uma vilinha do interior do Peru por causa de estrada ruim, e depois de uma tentativa frustrada de chegar a Machu Picchu e de quase rolar Andes abaixo com um desabamento, só digo que beijei o chão de Cuzco quando consegui voltar sã e salva.

Abro o Skyscanner e vejo que tem um vôo de hora e pouco entre Delhi e Leh. Aeroporto lindo, também te amo, esquece tudo aquilo lá <3