Choque Thai

Estação Surasak

Confesso que está meio complicado me entender com a Tailândia depois de cinco meses no subcontinente indiano. A pobreza limitante dos preços rasteiros e de infraestrutura sofrível, somados à certa austeridade social, deram espaço ao país-centrífuga do tudo liberado, inclusive o visto. Saem os seletos viajantes que se atrevem, entram os milhares de turistas interessados em diversão fácil – inclua-se aqui o eufemismo para qualquer tipo de transgressão comportamental.

A mudança se fez sentir ainda mais depois da experiência nas montanhas nepalesas. Migrar da quietude autoreflexiva do Annapurna para Bangkok, a supermetrópole de todos os apelos sensoriais, foi um solavanco daqueles. Vou tateando com calma enquanto corpo e mente se acostumam. Sei que vão.

A sensação é de estar em uma cruza estranha entre São Paulo e Las Vegas. O calor acachapante faz meu corpo entrar em modo semi-desmaio, e os monstros-deuses que guardam os templos ganham tom de delírio em cores quentes. Os olhos se perdem nos superbanners e neons que vão passando pela janela do trem aéreo. Nos prédios supermodernos que dão horizonte ao respeitável fluxo de carros pontuados por táxis rosa-choque cintilantes.

Na rua mochileira, jovens turistas clamam pelos melhores momentos de suas vidas, sem lembrar que às vezes o tão alto implica em não voltar mais. Também não se lembram que, a poucos metros e dias dali, a Tailândia de verdade estava em violento colapso político, confirmado pela presença maciça de acampamentos militares por toda a cidade.

A noite chega com um estranho vento que não estava lá. Nas ruas acesas de vermelho, homens brancos velhos pagam bebidas a esculturais senhoritas de origem afro-asiática, a maneira barbie-afetada não condizente com o profundo sentido por trás dos olhos vidrados. Não muito longe dali, feirantes acumulados em esteiras na calçada esperam pelos bahts da manhã seguinte.

p.s.: a quantidade de estrangeiros que se perdem para sempre nos sem-limites da Tailândia é algo assustador. Mal cheguei e já vi que a vida real é pior que a ficção.

p.s.: ufa, finalmente turistas brasileiros. Aos montes.

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3 Comentários on “Choque Thai”

  1. Aline disse:

    Obaaaaa!!!!

  2. Aline disse:

    Ainda bem que tem muitos Brasileiros!! beijos!!! ah, gostei da foto! rs


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