Sobrevoo

 

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Cruzar a fronteira em direção à Mianmar depois da overturística Tailândia foi um acontecimento. Apenas alguns passos de distância (entre Mae Sot e Myawaddy) para o ônibus vip luxo virar uma vanzinha calorenta com passageiros espremidos entre motos – quando não empoleirados no que apelidei de “pick-up gaiola”. Uma única ponte, e a estrada sem maiores sobressaltos se transformou em pista única congestionada onde só funciona um sentido por dia.

Enquanto me preparava para uma mochilada casca-dura (afinal, o país passou 50 anos ensimesmado em dificuldades internas), Mianmar deu uma pirueta e saiu dançando. Os estilhaços voando para todo lado não tornaram o ambiente duro, sujo ou feio, muito pelo contrário. A Mianmar para turistas é simples, mas limpa e bem cuidada. Inadimissível à primeira vista, só mesmo o calor: 22h, 40 graus em Mandalay (pausa entre 12h e 15h30 para não começar a alucinar no meio da rua).

A maioria budista se impõe na coleção de templos que transbordaria uma vida de visitas e preces. Tantos (mais de 2 mil apenas em Bagan) que muitos acabam abandonados, enquanto os mais famosos são fontes inesgotáveis de doações em dinheiro e metais preciosos. Também é enorme a quantidade de monges em mantos vinho, laranja e rosa zanzando por todos os lados. Cabeças raspadas, óculos escuros e motos, eis um combo cool.

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Em Mianmar se bebe muita cerveja e whisky, enquanto o tradicional bolinho doce frito (estilo o de chuva) é apreciado com uma mistura de café, chá preto e leite condensado. A comida, de tempero modesto para os padrões asiáticos, lembrou os refogados lá de casa. Tudo fecha entre 21h e 22h, mas os diálogos das adoradas novelas locais estilo pastelão explodem nos autofalantes dos ônibus interprovíncias até tarde da noite. A despeito da escalada pop da antiga Birmânia, hotel com ar condicionado sai a R$ 25, 10 horas de ônibus confortável a R$ 14, um prato de comida a R$ 4.

Meu maior exercício mental era tentar imaginar aquelas pessoas simples, alegres e honestas, tão amigáveis, envolvidas em algum tipo de conflito violento onde meus olhos não conseguiam ver. Porque nossa interação era sempre um sorriso, sempre um “hellooooo” gritado de onde quer que seja. Pareciam felizes por receber visitas depois de tanto tempo. “Are you happy?”, perguntavam, na esperança de que compartilhássemos do mesmo sentimento.

Uma vez, o chinelo de um amigo arrebentou a correia durante um passeio. O homem do lado tirou as sandálias que estava usando para oferecer.

<3 (da sumida Mundolândia Productions)

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6 Comentários on “Sobrevoo”

  1. Maira disse:

    Já estava sentindo falta dos posts da mundolandia!!!
    Bjs Tinho

  2. Leo Hallal disse:

    Deb, a gente comia muito num restaurante de “Burma”. Era incrível, um dos favoritos. Não lembro, a gente te levou no B-Star? Fiquei curioso pra saber mais da comida dai. Quero muito saber (pessoalmente, claro!) do contraste da Tailândia e de Mianmar. Muitas saudades de você! Pé na estrada.

    • deborazampier disse:

      Em São Francisco? Acho que não, de comida dessas bandas de cá acho que só fomos em um árabe que tinha um falafel maravilhoso! A comida de Mianmar é impressionantemente mais suave e menos frita que da Tailândia, tem uns curries de massinha de peixe seco mais temperados, mas vem em potinhos à parte e é você que dosa a quantidade. Base de tudo é arroz, e muita coisa refogada. Achei mais saudável! Já vão preparando a mochilona para trazer Alice a mianmar! Bj

  3. Milva Morelli disse:

    Olá Débora, mais uma linda postagem!! Imagino que os Templos sejam encantadores…..que maravilhoso as pessoas cultivarem a boa recepção aos de fora!! Super beijo

    • deborazampier disse:

      Oi Milva, tem razão, os templos são muito lindos, especialmente se considerados no conjunto da obra! Mas o melhor mesmo são as pessoas, sempre! Obrigada pela visita! Beijo!


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