Finanças e a arte de ser conservadora

(Kevin Dooley / Creative Commons)

(Kevin Dooley / Creative Commons)

Todos querem saber como vou me manter durante a viagem. Juro que queria apresentar tabelas, gráficos e fórmulas mágicas de gastos e economias, mas confesso que não sou parâmetro para quem começou o planejamento financeiro meses antes de ir.

Como já devem ter percebido, a vontade de passar um tempo fora não é um surto que surgiu do nada. Sempre insisti nisso, e dadas as negativas frequentes dos meus pais, adotei o clássico: “Quando tiver meu dinheiro, eu vou”. Acabou que esses vetos lá de casa tiveram um ótimo efeito pedagógico. Criei senso de responsabilidade para ir economizando desde cedo, sem precisar me privar de nada que era fundamental.

Outra característica que me exclui de possíveis referências é a paranoia conservadora que tenho em relação a dinheiro. Muitos viajantes acham bem ok guardar uma quantia mínima e depois se virar, passando perrengue se necessário. Eu já sou dessas que precisam de um bom colchão de reserva para ficar tranquila, inclusive para manter tudo sob controle na volta.

Mas a boa notícia é que a Ásia é um continente muito barato. A Rachel Verano, jornalista tarimbadíssima de turismo e lifestyle e autora do delicioso blog I’m In Asia Now (inspiração-mor para essa viagem sair do papel), disse que o gasto para duas pessoas, incluídos os deslocamentos internos, não passou de 1500 euros por mês. “Uma amiga fez a volta ao mundo sozinha num esquema bem mochilão e fez cálculos de US$ 1.000 por mês, em média”, completou, em uma das mensagens que trocamos.

Animados?


Vamos?

Hoje de manhã, uma amiga querida mandou o depoimento de um casal brasileiro que deixou tudo para viajar pelo mundo. Na semana passada, outra história parecida circulava por aí.

É muito interessante a reação das pessoas quando descobrem que você é a personagem de um enredo como esse.

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Família francesa mochilando pela Bolívia. As “mochilas” nas costas são os filhos pequenos.

Metade pergunta como vai ser com uma cultura tão diferente, como vai ser com dinheiro, como vai ser com emprego na volta, como vai ser com segurança, como vai ser com família/namorado. Enfim,  preocupados/contrariados.

A outra metade suspira. Tenho ouvido muito “meu sonho era fazer um esquema desse, mas…”. Sempre tem um porém que nem preciso listar, pois eles todos estão aquicom os devidos contra-argumentos do ótimo Gabriel Quer Viajar.

Tudo indica que os brasileiros estão cada vez mais abertos a big trips, sabáticos e afins.  Basta ver os inúmeros blogs de viagem lançados nos últimos anos para ter a sensação de que, enfim, podemos nos preocupar menos com inflação e ostentação e mais com realizações pessoais dentro de um estilo de vida mais simples, algo que o pessoal de fora já descobriu há décadas.

Vamos?