Ponderando

Desembarquei em Malé com vaga ideia do que seria uma ilha habitada. Uma semana depois, concluo que Maafushi é as Maldivas para todos, mas também  para poucos.

Os amantes da estética se desapontariam com a relativa economia de enquadramentos cênicos. Os exclusivos agonizariam no papel de meros figurantes da vida local, que corre as ruas de areia em motos sem capacete e relaxa preguiçosa em cadeiras de corda. Os insones se esbugalhariam ao acordar diariamente às 5h com os cânticos entoados nos autofalantes das mesquitas. Os ambientalistas sangrariam verde com a quantidade de lixo acumulada em algumas partes da ilha, sem aparente solução. Os medrosos tremilicariam ao dividir espaço com o único presídio local. Os fanfarrões pensariam duas vezes antes de pisar em uma ilha onde não é permitida venda de álcool.  Os exibidos se indignariam com a restrição do biquíni a apenas uma praia pequetita, cercada por um biombo.

Mas Maafushi também é a ilha de quem acha que luxo mesmo é poder visitar as Maldivas para ontem, sem mais delongas financeiras. É a ilha dos amantes da simplicidade, que não gostam da sensação meio incômoda do serviçal sempre à disposição. É a ilha dos admiradores da realidade bruta: a garrafinha de água que você ajudou a tomar está ali boiando e alguém precisa fazer alguma coisa. É a ilha de quem acha tão incrível dividir o mar com mulheres de burca que nem se lembra do fato de estar vestida. É a ilha de quem regozija ao pagar justo, e onde é possível jogar pelada com os habitantes e ganhar florzinha da dupla de meninas que estão sempre na frente do mesmo portão. É a ilha para quem não hesitaria em trocar o mergulho na piscina privativa do quarto superdeluxe pelo banho em uma nova cultura.

E você? Qual?

***

p.s.: Com essa, termino a temporada no reino paradisíaco tropical e parto rumo a um mês no teto do mundo, vulgo Nepal. Diz que vai ter até trekking de 16 dias. A conferir.

p.s.1: se perdeu? Me segue no mapa!

Anúncios